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Serviços · Etapa de execução

Auditoria de fábrica: o que é verificado na linha de produção

A auditoria de fábrica é etapa da avaliação inicial no Modelo 5 de Certificação previsto no RAC da Portaria INMETRO nº 148/2022. Consiste na auditoria do Sistema de Gestão da Qualidade no fabricante, com ensaios em amostras retiradas ali, acompanhamento da linha de produção e verificação dos ensaios de rotina.

É a etapa que mais surpreende importador de primeira viagem, porque depende de um terceiro — a fábrica — colaborar. E é a etapa que, na prática, decide se um fornecedor chinês é viável para quem precisa de certificação INMETRO.

O que a norma exige

O Modelo 5 de Certificação consiste em avaliação inicial com ensaios em amostras retiradas no fabricante, incluindo auditoria do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ), seguida de avaliação de manutenção periódica através de coleta de amostra do produto na fábrica ou no comércio, para realização das atividades de avaliação da conformidade, e auditoria do SGQ.

A auditoria não é substituível por questionário, declaração da fábrica ou certificado de sistema de gestão de terceiros. É atividade de avaliação conduzida pelo organismo.

Acompanhamento da linha de produção

Havendo mais de um modelo fabricado, a auditoria deve contemplar o acompanhamento da fabricação de ao menos um dos modelos da mesma classe de isolação, na linha de produção dos modelos de produtos que integram o escopo de certificação.

Isso significa auditor presente na linha, vendo o produto ser montado. Não é visita protocolar: é verificação de que o processo produtivo é capaz de repetir o produto que será ensaiado.

Verificação dos ensaios de rotina

Três verificações objetivas, previstas no RAC:

  • Se os ensaios de rotina para controle da qualidade do produto são realizados pelo fabricante em 100% da produção.
  • Se são realizados, pelo menos, os ensaios de rotina descritos no Anexo A do RAC — continuidade de aterramento e tensão suportável.
  • Se o fabricante mantém os registros dos ensaios de rotina.

Bancada de ensaio sem registro equivale, para efeito de auditoria, a ensaio não realizado.

Coleta de amostras

As amostras da avaliação inicial são retiradas no fabricante, com critérios de amostragem definidos. Não é a fábrica que escolhe e envia unidades: a coleta integra a avaliação.

Nas avaliações de manutenção, a coleta ocorre na fábrica ou no comércio, alternadamente — o que permite comparar o produto vendido no Brasil com o produto certificado.

O que trava uma auditoria

Os obstáculos recorrentes, em ordem de frequência:

  • Fábrica que não aceita receber auditoria de organismo certificador brasileiro.
  • Ausência de bancada de ensaio de rotina, ou existência da bancada sem procedimento e registro.
  • Recusa em fornecer esquemas elétricos e lista de componentes, tratados como segredo industrial.
  • Linha de produção que não estava produzindo o modelo do escopo na data agendada.
  • Divergência entre os componentes críticos declarados e os que entram na linha.

Todos são verificáveis por e-mail antes de fechar o pedido. As cinco perguntas para fazer à fábrica.

Sobre imparcialidade. Um OCP (Organismo de Certificação de Produtos) avalia a conformidade do produto e não presta consultoria de adequação sobre o produto que certifica — é o que a ABNT NBR ISO/IEC 17065 exige. O que se oferece aqui é análise de escopo, indicação da norma aplicável e condução do processo de certificação. Nenhum resultado de ensaio pode ser prometido antes de o ensaio ser realizado.

Onde esta etapa entra no processo

  1. Você informa o produto e o local de fabricação

    Descrição técnica do aparelho, tensão, potência, capacidade e o endereço da fábrica. É o que permite localizar o produto na Tabela 1 do Anexo III da Portaria INMETRO nº 148/2022.

  2. Identificação das normas técnicas aplicáveis

    Análise de escopo: qual item da Tabela 1 enquadra o produto e qual parte da série IEC 60335 será usada nos ensaios, além da parte 1, de requisitos gerais.

  3. Montagem da proposta

    Com o escopo definido, a proposta detalha as etapas de avaliação, o modelo de certificação aplicável, os ensaios previstos e os prazos envolvidos.

  4. Execução: auditoria de fábrica, ensaios, auditoria de SAC e documentação

    Auditoria do sistema de gestão da qualidade na fábrica com coleta de amostras, ensaios em laboratório, verificação do atendimento ao consumidor e emissão da documentação de certificação.

Perguntas frequentes sobre auditoria de fábrica

A auditoria de fábrica é obrigatória?

No Modelo 5 de Certificação, sim: a avaliação inicial inclui auditoria do Sistema de Gestão da Qualidade no fabricante. A alternativa prevista no RAC é o Modelo 1b, de Ensaio de Lote, que se aplica a uma quantidade determinada de produtos e não à produção contínua.

Quem vai até a fábrica na China?

A auditoria é conduzida por auditor do organismo de certificação, com qualificação para o escopo técnico avaliado. É atividade do organismo acreditado, não do importador nem de consultoria.

A fábrica pode enviar um relatório de auditoria que já tem?

Relatórios de terceiros podem ser analisados quanto à sua utilidade documental, mas não substituem a auditoria prevista no RAC. A decisão sobre aproveitamento de evidências é do organismo, na análise da documentação.

Com que frequência a auditoria se repete?

No Modelo 5, há avaliação de manutenção periódica com auditoria do SGQ, além da avaliação de recertificação, que deve ser realizada a cada 6 anos e finalizada até a data de validade do certificado.

A auditoria avalia se o produto vai passar no ensaio?

Não. A auditoria avalia o sistema de gestão da qualidade e o processo produtivo; a conformidade do produto é verificada nos ensaios. Nenhuma das duas etapas permite antecipar ou prometer resultado.

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